Como ocorre na natureza, onde tudo está em constante evolução, o mundo corporativo está mudando a passos rápidos, e a forma como as pessoas enxergam sua vida profissional também. O Recursos Humanos (RH) é um setor estratégico para a empresa e tende a sofrer muita interferência com as tendências do mercado de trabalho que possam, de fato, ajudar na rotina empresarial.

Embora nem todas as tendências de RH anunciadas ao longo dos últimos anos tenham se concretizado e nem todas elas tenham realmente servido para que o departamento evoluísse, há algumas práticas que vem sendo úteis e eficientes para a evolução do mercado e outras que não passaram de previsões equivocadas.


Confira as tendências que têm revolucionado o RH de hoje:

# Jornada de trabalho flexível e home office

Esta tendência se concretizou por influência da alta rotatividade que diversos setores têm presenciado pela necessidade constante dos colaboradores terem que adequarem o seu trabalho à sua vida pessoal e não o contrário, como ocorria antigamente. O estudo feito pelo Ibope mostra, de acordo com a reportagem do site G1, que 38% dos brasileiros que trabalham com carteira assinada já têm alguma flexibilidade para escolher seus horários e 42% têm flexibilidade para definir o local de trabalho (pode ser em casa ou em algum outro lugar fora da empresa).

Nesta situação, uma opção para conseguir reter talentos é flexibilizar a jornada de trabalho, permitindo que os colaboradores comecem a trabalhar em algum momento dentro de uma faixa de horário preestabelecida, oferecendo mais liberdade com os compromissos pessoais.

# Novas formas de contratação

A contratação de profissionais freelancers é feita sem vínculos empregatícios e com contratos específicos para uma demanda determinada. Esta modalidade de trabalho apresentou um crescimento de mais de 50% nos últimos 5 anos, segundo a Business Insider.

A maneira de captar profissionais também vem mudando. Buscar novos talentos nas redes sociais é uma prática cada vez mais comum nos RHs de hoje. Segundo a reportagem do site O Dia, de acordo com a consultoria Great Place to Work Institute (GPTW), oito em cada 10 principais empresas utilizam as ferramentas virtuais para contratar colaboradores.

Esta tendência está em alta, pelas novas gerações verem as redes sociais como uma extensão de suas personalidades. Ali elas demonstram quais são suas opiniões, valores e princípios. Logo, dedicam horas e mais horas para transformar o seu perfil digital em um currículo repleto de competências, habilidades e atitudes. Facilitando assim, o trabalho dos profissionais de seleção e recrutamento.

Confira as tendências que ainda estão sob análise:

 

# Benchmarking como estratégia

Muito se discutiu sobre benchmarking (processo de avaliação da empresa em relação à concorrência, por meio do qual incorpora as melhores práticas de outras companhias e/ou aperfeiçoa os seus próprios métodos) na área de RH do passado, para adequar processos organizacionais.

No entanto, esta visão de comparar as operações e processos de uma empresa com outras empresas bem-sucedidas na prática não funciona sempre por cada empresa ter sua cultura própria e suas equipes de trabalho com características particulares.

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# Adoção do downsizing

A tendência da área de RH de estar sendo gradativamente reestruturada, reduzida e enxugada no nível do essencial ou básico não foi concretizada. Pois, com o enxugamento ou com o desmanche da área no início da década as empresas perceberam rapidamente uma queda no nível de eficiência das equipes por falta de treinamentos e programas de melhorias contínuas envolvendo os profissionais de RH. Observou-se que o downsizing pode ajudar em problemas pontuais, mas não perdura. Serve apenas como paliativo para ajustar as operações do passado à realidade do dia a dia, mas não constitui uma rota que norteie o futuro da área.

Um setor eficiente de RH está intrinsecamente ligado aos resultados financeiros de uma empresa. É o que mostra o estudo feito pela World Federation of People Management Associations (WFPMA), divulgado no site da revista Época Negócios. Ao analisarem as performances de dez anos das empresas do ranking de 2014 das Melhores Empresas para Trabalhar, da revista Fortune, e as estruturas de seus departamentos de RH, o resultado foi uma relação direta entre os dois pontos avaliados: as 100 companhias com os RH mais fortes tiveram os índices financeiros quase duas vezes melhores que os das demais! 

# Remuneração variável por desempenho

Esta tendência foi difundida por encorajar o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos e por ter sido adotada com frequência nos Estados Unidos, mas foi concretizada pela minoria das empresas brasileiras. A remuneração por desempenho é um caminho que o RH pode adotar para melhorar os resultados da empresa, acelerar seu crescimento, engajar seus funcionários, atrair e reter talentos para seu negócio. Porém, um programa de remuneração variável que não siga as regras da legislação brasileira pode trazer mais problemas do que benefícios.


Uma alternativa é a remuneração não financeira, como por exemplo, horários flexíveis para atender às mudanças no estilo de vida, como, por exemplo, a chegada de um bebê. O Relatório de Remuneração e Benefícios, do Top Employers Institute, realizado com base na Pesquisa Global de Melhores Práticas de RH, elaborada com 600 empresas em 96 países, divulgado no site da ABRH Brasil, aponta que apenas 12% dos participantes da pesquisa desenvolveram esses benefícios nesse formato nas suas empresas brasileiras.

Ventos de mudanças batem nas janelas do setor de RH. Com as transformações frequentes no mercado de trabalho, o gestor da área deve permanecer alerta sobre as tendências de RH para que a relação entre empresa e colaborador sejam as mais satisfatórias possíveis para ambas as partes. Assim, o departamento assume o papel de protagonista no planejamento empresarial relacionado com os resultados alcançados pela empresa e como setor lucrativo para o negócio.